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#1 2014-02-25 05:54:42

Fernando Trebien
Member
From: Porto Alegre, Brazil
Registered: 2013-05-18
Posts: 866

Living streets

Trazendo pra cá assuntos que já foram discutidos em outros lugares. A questão principal é se o conceito de "living street" deve ser totalmente evitado no Brasil, ou só usado quando há sinalização indicativa, ou se pode ser usado em casos em que a prática se aproxima do conceito, ou se precisamos de um novo conceito pra esses casos.

Contextualizando, há pouco tempo foi anunciada a primeira intenção de implantar esse conceito no Brasil. Esse anúncio teve bastante influência na forma com que traduzimos esse termo no OSM: via de espaço compartilhado.

De que forma o wiki do OSM define essas ruas (traduzindo): "geralmente têm limites de velocidade inferiores e regras especiais para tráfego e estacionamento ao se comparar com vias com a etiqueta highway=residential".

Alguma luz sobre como as pessoas lá fora encaram esse tipo de via pode estar na página de discussão do mesmo artigo, onde alguns dos que discordaram sobre a proposta disseram estar satisfeitos em usar a seguinte combinação de tags pra expressar a mesma coisa: highway=pedestrian + motorcar=yes/destination + maxspeed=7. Interessante notar o "destination", dando a entender que não são boas ruas de passagem pros veículos.

O artigo no OSM aponta logo no começo para a Wikipédia em inglês, que, entre outras coisas, diz (hoje, dia 25/02/2014):

Uma living street é uma rua projetada primariamente com foco nos interesses de pedestres e ciclistas e como um espaço social one as pessoas possam se encontrar e crianças também possam brincar legalmente e com segurança.

Essas ruas são frequentemente construídas no mesmo nível que as calçadas, sem meio-fio. Carros se limitam a uma velocidade que não perturba outros usos da rua (limite esse normalmente considerado "velocidade de pedestre"). Para tornar esse limite de velocidade natural, a rua normalmente é construída de modo que um carro não consiga andar em linha reta por grandes distâncias, por exemplo colocando-se canteiros verdes nas bordas da rua, alternando-se o lado onde é permitido estacionar, ou curvando a própria rua. Outras medidas de moderação de tráfego também são empregadas. Contudo, agora evitam-se métodos mais antigos como lombadas em favor de métodos que tornam as velocidades mais baixas algo mais natural aos motoristas, ao invés de uma obrigação.

Veja também que a maioria das placas usadas pra sinalizar essas ruas sempre apresenta um veículo no fundo, e na frente uma criança brincando e um adulto (que talvez esteja brincando com a criança, ou só andando pela rua), ambos na frente de uma casa (sugerindo uma área residencial).

Existe bastante variação visual no aspecto dessas ruas mesmo dentro de um mesmo país. Alguns exemplos que eu consegui achar:

- na Holanda (onde surgiu o conceito)
speed_table.woonerf.jpg
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- na Dinamarca
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- na Suécia
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- na Alemanha
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- na Suíça
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- na Polônia
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- na Inglaterra
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- na França
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- na Austrália
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- no Japão
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- na Rússia
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- na Hungria
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- na Finlândia
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E no Brasil?

Last edited by Fernando Trebien (2014-02-25 15:21:52)

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#2 2014-02-25 06:20:06

Fernando Trebien
Member
From: Porto Alegre, Brazil
Registered: 2013-05-18
Posts: 866

Re: Living streets

Vou começar com a minha opinião (que não é representativa da comunidade como um todo).

Talvez o caso sinalizado (ou seja, obrigado pela lei) que mais se assemelhe é o que ocorre com frequência no entorno de escolas e hospitais, onde às vezes há lombadas e placas indicando velocidade reduzida. Contudo, nesses casos, o trecho normalmente é curto e não há porque alterar a classificação.

Há alguns outros casos em que certas características (que ocorrem por trechos longos) aproximam a situação desse conceito, embora nunca totalmente. A característica que mais difere é a ausência de meio-fio.

Fatores que causam redução na velocidade dos veículos, mesmo quando não há placas, incluem a presença frequente de pedestres e a frequente falta de espaço para manobrar (por exemplo, caso haja um veículo enguiçado ou mal estacionado, por hábito mesmo). Um fator que força os pedestres a adentrar o espaço dos carros é a falta de calçadas com largura adequada.

Com frequência essas características se verificam em lugares sem planejamento urbano adequado, como no interior de favelas, mas também em lugares planejados para ter pouco tráfego, como certas regiões residenciais. Além do planejamento urbano precário, o trânsito (seja de carro ou de bicicleta) é complicado por essas vias. Como essas vias geralmente são estreitas, andar a pé também parece diferente, em parte pela visibilidade reduzida, e em parte porque as pessoas costumam andar na própria pista (e pelo meio dela, por longas distâncias, não junto ao meio-fio como em outras vias maiores). Andam (ilegalmente) pela pista então, um espaço que seria destinado para os carros a princípio.

Alguns exemplos na minha cidade: o bairro Farrapos (ex-vila), as vilas do Bom Jesus (a região mais carente da cidade), a antiga vila CEFER (também uma ex-vila).

Atualmente, a classificação das living streets em Porto Alegre seguiu este método, mas precisa ser refeita. Baseado nas opiniões dessa discussão, é muito provável que a nova classificação siga esta combinação feita com outro mapeador local (Augusto Stoffel / Papibaquígrafo):

1. Vias estreitas (lanes=1) e com calçadas adequadas (sidewalk=left/right/both) seriam marcadas como highway=living_street. Esse é um dos casos em que sei que você e o Flávio concordam (penso em consultá-lo também antes de começar). Por mim, daria pra marcá-las como service=alleyf também.
2. Vias estreitas e sem calçadas adequadas (sidewalk=no) seriam marcadas como highway=service + service=alley. A idéia seria estabelecer uma similaridade entre a estrutura da via e os exemplos dados no wiki. Uma alternativa seria classificá-las como living street também.
Nota: uma diferenciação entre 1 e 2 seria interessante pros usuários do mapa que são pedestres.
3. Vias mais largas (lanes=2) seriam marcadas como highway=residential/unclassified/tertiary/secondary/etc, independente de terem calçadas. Isso começou a fazer um pouco de sentido pra mim depois do último questionamento que o Arlindo fez na lista talk-br sobre as ruas residenciais na cidade do Rio, onde as calçadas são boas mas têm carros estacionados, e por isso as pessoas costumam andar na rua (larga) perto do meio fio mas relativamente fora do caminho dos carros.

Ainda assim, pode ser que living street não seja exatamente aquilo que queremos representar e sim que precisamos de uma nova classificação para esse tipo de via. O objetivo desse post é abrir o espaço para discussão.

Last edited by ftrebien (2018-03-12 16:53:36)

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#3 2014-02-25 06:21:18

Alexandre Magno
Member
From: Natal (RN), Brazil
Registered: 2014-02-19
Posts: 616

Re: Living streets

Ao lado do Parque de Capim Macio, em Natal, tem uma rua revestida de paving stones. É ao lado de um parque. Que eu saiba, a velocidade dos carros é a normal. Além disso, não há tráfego intenso de pedestres. Pelo contrário, é até deserto, nesse sentido. E as calçadas, não estão no mesmo nível da rua. Só que não deixa ser diferente de todos os outros ambientes de ruas residenciais da cidade. Acho que a intenção foi a rua ser uma extensão do parque.

Last edited by Alexandre Magno (2014-02-25 06:22:10)

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#4 2014-02-25 06:24:21

Fernando Trebien
Member
From: Porto Alegre, Brazil
Registered: 2013-05-18
Posts: 866

Re: Living streets

E você passaria de carro por essa via em velocidade normal? Tomaria algum cuidado adicional (em relação ao que toma em vias residenciais típicas)?

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#5 2014-02-25 13:16:11

Linhares
Moderator
From: Brasilia
Registered: 2013-06-21
Posts: 259
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Re: Living streets

Alexandre,

essa rua do parque me parece exatamente o tipo de rua que poderíamos adaptar como living_street na nossa realidade. Só que como não é oficial, se faz necessário observar o comportamento das pessoas e dos motoristas no local. De repente a idéia original não vinga e ela se torna uma via principal da cidade.

Fernando,

muito boa a sua explicação sobre living_street!

Fernando Trebien wrote:

Contextualizando, há pouco tempo foi anunciado o primeira intenção de implantar esse conceito no Brasil. Esse anúncio teve bastante influência na forma com que traduzimos esse termo no OSM: via de espaço compartilhado.

+1000!

Abraços, Linhares

Last edited by Linhares (2014-02-25 13:19:03)

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#6 2014-02-25 14:45:25

Alexandre Magno
Member
From: Natal (RN), Brazil
Registered: 2014-02-19
Posts: 616

Re: Living streets

Fernando Trebien wrote:

E você passaria de carro por essa via em velocidade normal? Tomaria algum cuidado adicional (em relação ao que toma em vias residenciais típicas)?

Não dirijo. Já dirigi. Se ainda dirigisse, sim, eu passaria em velocidade normal. É o que fazem. Apenas se toma cuidado, de acordo com o horário, se não há crianças correndo "desgovernadas" vindo do parque ao lado.

Linhares wrote:

essa rua do parque me parece exatamente o tipo de rua que poderíamos adaptar como living_street na nossa realidade. Só que como não é oficial, se faz necessário observar o comportamento das pessoas e dos motoristas no local.

Depois eu vou lá, olhar melhor se não há sinalização no sentido de ser uma living street.

De #125 no tópico "Traduções":

Fernando Trebien wrote:

Em lugar nenhum diz explicitamente que [living street] é por "lazer", é mais ligado ao "convívio", especialmente entre vizinhos. Geralmente envolve lazer, pode envolver coisas que não tenham tanta ligação com o lazer (tipo trabalho). O fundamental do conceito estrangeiro é que a prioridade do espaço é para o pedestre e que o veículo é quase um "intruso" que os pedestres deixam passar.

Entendido e aceito.

Last edited by Alexandre Magno (2014-02-25 14:52:26)

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#7 2014-02-25 14:58:23

Bráulio Bezerra
Member
Registered: 2013-05-21
Posts: 21

Re: Living streets

Alexandre Magno wrote:

Depois eu vou lá, olhar melhor se não há sinalização no sentido de ser uma living street.

Não lembro de ter nenhuma sinalização lá e, realmente, são utilizadas da mesma forma que as outras ruas. Além disso, algumas outras ruas em volta dessas também utilizam o mesmo tipo de calçamento. Foi mesmo a prefeitura que o colocou? Pode ter sido alguns moradores que se organizaram (lembrando que há poucos anos não havia calçamento nenhum por aquelas bandas).

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#8 2014-02-25 15:03:43

Alexandre Magno
Member
From: Natal (RN), Brazil
Registered: 2014-02-19
Posts: 616

Re: Living streets

Bráulio Bezerra, pode ter sido os moradores. Não sei. Se foi, devem ter ficado "mordidos de cachorro" cool, pois pouco tempo depois Capim Macio foi quase todo pavimentado com asfalto.

O trânsito naquele bairro tem uma coisa muito chata: ele faz um xadrez de asfalto que obriga-nos a parar em cada esquina. A cada 100 metros tem placa de PARE para alguém! E só as avenidas que cortam o bairro em comprimento tem realmente movimento. Estão usando elas como alternativas à Av. Engenheiro Roberto Freire, apesar das paradas obrigatórias.

Last edited by Alexandre Magno (2014-02-25 15:08:54)

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#9 2014-02-25 15:13:32

Fernando Trebien
Member
From: Porto Alegre, Brazil
Registered: 2013-05-18
Posts: 866

Re: Living streets

1. Seria a situação 2 da minha combinação com o Augusto: highway=service + service=alley. Como service às vezes não é público, pode ser interessante reafirmar que é adicionando a tag access=yes.
2. Olhando pelo ângulo do 4º caso, eu acho que seria parecido com uma living street (situação 1) porque tem um espaço adicional pros pedestres fora da área da rua (uma calçada).
3. Esta é uma residencial típica (situação 3). Tem espaço pra dois veículos, e boas calçadas, ninguém é obrigado a andar na rua.
4. Situação 2. Mas fora do Brasil muitos a marcariam com service=alley.
5. Idem ao anterior.

Last edited by Fernando Trebien (2014-02-25 15:16:01)

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